7/31/2020

Texto Ópera do Avesso


Sobre o livro- Livro infanto juvenil
Ele foi escrito e ilustrado em 2010 e impresso em 2020.O texto refere-se a questões de ideias preconcebidas, educação e uma viagem em criatividade.As ilustrações são em preto e branco feitas com recortes
Ficha técnica

isbn-978-65-000-6038-6
Ano de criação- 2010
Ano publicação-2020
edicão 1'ª em papel
formato 29,6x21x 0.5
número de pag -34
peso 126 gr
Impresso em papel;RS 34,00
Com entrega pelos correios
prazo de entrega média 15 dias consultar CEP
 
Leia trecho

-Não me façam perder o meu tempo aqui com vocês. Estou educando vocês para serem grandes! Elefantes! Em vez que passar a vida inteira cegos, surdos e mudos, não os sendo e, mesmo se fossem, não existe deficiência, problema, carência, dificuldade que não possa ser superada com vontade e determinação. Cresçam enxergando, percebendo, sentindo a planície de cima, não por cima, de cima, repito, do alto, porque assim vão ter mais visibilidade. E não esqueçam: Elefantes não cabem dentro de chapéus. Mas, mesmo sendo grandes como elefantes, cuidado com as manadas! Evitem as manadas, as manadas não pensam, você aliena a sua individualidade para a manada.
Evitem as manadas!-advertia a professora.
As analogias da professora retonaram à memória do Maestro, que lembrou das análises criticas que ela fazia de diversos autores, incluindo Saint Exupery. Não poupava ninguém.
-Pensar é condição sinequanon do ser humano - ela afirmava- e parece que, também, de alguns macacos, ou micos. Só nós, na natureza, temos essa capacidade, qualquer outra afirmação sobre isso é besteira, penso logo existo, ou existo porque penso ou, pensar é isso ou aquilo...Pensar é uma condição da nossa natureza, é instrinsíca a ela, então, vamos exercê-la na plenitude.
-As pessoas sem imaginação gostam de colocar as outras dentro de compartimentos, sejam gavetas, caixas, costumes, hábitos, qualquer recipiente
que sirva para encarceirar e rotular. Isso é forma de domínio. O problema surge quando você faz isso consigo mesmo.Coloca um chapéu na cabeça e abandona o seu talento e suas crenças, por dinheiro, posição, sobrevivência, subservência, política, e por qualquer tipo de pressão ou bobagem, e deixa de ser o que é em essência.
-Vocês todos são pessoas essencialmente livres - dizia ela - e vocês mesmos estabelecem os laços que os podem prender. Tudo no mundo tem peso e uma medida e, é você que acrescenta ou diminui o peso e a medida que as coisas possuem.
-Vocês não são responsáveis por aquilo que cativam, mas apenas por aquilo que adquirem, ganham ou recebem, seja o que for, amor, afeto... com responsabilidade, no momento que entendam o significado dessa palavra. Até entender o que é responsabilidade, saber o que essa palavra significa, não podem ser responsáveis por nada. A função do cativo é ser cativo, então, ele vai exigir de você alimento, atenção, cuidado. E nem sempre o que você cativa ou prende, merece qualquer dessas coisas, sob pena de você estar alimentando um monstro que, mais cedo ou mais tarde, pode ficar maior e mais forte que você e vê-lo também como algo a ser preso e servir de alimento. Cuidado com as coisas, objetos, seres ou pessoas que cativa.

7/30/2020

Leia Capítulo do romance As Àguias Voam Sós



Na praia
Em um amplo quarto, fechado, com a luz acesa em plena tarde, sobre uma cama desfeita estão vários livros. No esplendor dos seus 21 anos, Adélia Weink, cabelos curtos, corpo moreno, perfeito, caminha nua pelo quarto, com uma mão segura uma maçã mordida e na outra um livro, que comenta em voz alta. Suando, parece um animal preso, enjaulado, rosto redondo, bonito, expressivo, decidido, estuda história e contra a vontade passa as férias com a família. Exigência materna e paterna, sob a ameaça de ter o dinheiro do final do mês suprimido.
Filha de fazendeiros tradicionais de Guaporé, Adélia, filha única do casal, não saíra exatamente como os pais desejavam, a começar pelo curso que escolhera. O pai queria que ela tivesse escolhido veterinária, assim, imaginava ele,ela encontraria um veterinário, casariam e iriam continuar a tradição da família voltada para criação de gado.
O verão era única oportunidade de estarem juntos. Depois que Adélia entrara na faculdade, começara a ter conflitos com a família e mantinha-se quase sempre que possível distante deles.
O verão transcorria para ela como um suplício. Enquanto as primas corriam de uma festa para outra, da praia para o colo dos namorados, ela fechada no quarto lia, estudava diversos autores. Agora devorava Regis Debray.
Leitura atormentada. Apressada. Interrompida por anotações, decisões. Discursos que fazia para si mesma, caminhando de um lado para outro .
- É preciso iniciar a luta armada, direta, sem escalas contra a burguesia e contra esse exército vassalo atrelado e subserviente ao imperialismo norte-americano. É preciso iniciar a luta armada. Vai ser esse ano,é necessário romper, vou romper com toda esta
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esquerda reformista.
Nos almoços com a família, que era quando saia do quarto e se permitia ter um mínimo convívio com a família Adélia não partilhava dos assuntos da mesa, achava-os banais demais, infantis. Enquanto falava-se no verão, nas parentes e amigas que haviam ficado noivas, ou quem andava com quem, ela procurava fazer a sua refeição o mais rápido que conseguia, levantava e sumia sem dar uma palavra.
A mãe no alto dos seus noventa quilos, olhando para ela e com um certo ar de piedade disse:
-Você está tão branca minha filhinha, porque não vais à praia?
-Tia, eu já cansei de convidar Adélia, mas parece que ela não gosta de sol. Gosta de ficar trancada no quarto, lendo -observou a prima com um acento de deboche na frase, insinuando que Adélia fazia coisas estranhas no quarto, além de ler.
-Imbecis - pensou Adélia - vocês ficam aí, comendo preocupando-se com a cor da pele, enquanto há uma guerra no país, uma guerra que não aparece nos jornais que estão censurados, quando não estão coniventes. Os porões da ditadura repletos de prisioneiros, companheiros e amigos desaparecidos. Se eu não tomar uma atitude, acabo assim, burguesinha decadente que nem vocês, preocupadas com a cor da pele e os namoradinhos. Por que será que as pessoas mais próximas a nós não percebem quem é a gente de verdade? Elas falam de mim sem saber que tenho um coração, que quase me salta da boca de tanta indignação....E querem saber de mais uma coisa:
- Querem saber de uma coisa?Chega! -explodiu, levantando da mesa num ímpeto e apontando para as duas primas que comiam como se estivessem numa escola de etiqueta -ninguém me obriga a ouvir mais essas idiotas, duas burguesinhas perfumadas, vazias e inúteis. Não entendo como alguém pode levar uma vida assim como vocês, completamente inúteis, uma vida vazia, sem propósito, preocupadas apenas com sua aparência de vacas enfeitadas.
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- Mas o que é isso minha filha? - perguntou a mãe assustada.
Todos na mesa paravam de comer.
-Essas duas cabeças ocas e vocês todos juntos, um bando de idiotas e tem mais uma coisa, vou arrumar as minhas malas e volto hoje para Porto Alegre, não fico mais nem um dia aqui! -afirmou, irritada, virou-se e saiu da mesa direto para o quarto disposta a ir embora o mais rápido possível.
Apesar do constrangimento criado por Adélia, na mesa, aos poucos o clima foi voltando ao normal, com as primas falando da roupa e do cabelo que sairiam à noite e a mãe lamentando que Adélia não fosse igual a elas, tão boazinhas, comportadas.
-Essa minha filha! Essa minha filha! Não me conformo. Pensei que nesse verão ela ficaria mais sossegada. Primeiro, foi aquele namorado, com aqueles cabelos enormes, um bigode que parecia de índio, estudante de botânica ou biologia, sei lá, metido a escritor, um vagabundo, agora política, política, como se tudo no mundo se resumisse a política.
-Calma, tiazinha, calma.
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Aqui surge um novo personagem sem rosto, Abram Sherman. Se o leitor quiser poderá ignorar o que ele diz sem prejuízo nenhum para o romance. Ele escreve:
Descendente de Adam Kadmon, percorri várias existências que confundem-se com o tempo, da mesma maneira que o planeta percorrer a sua órbita. Num círculo idêntico ao da serpente que devora a própria cauda, habitei países tão diversos como a Mesopotâmia e o Baixo Egito. Esqueci meus outros nomes, rostos, depois de beber a água do rio Lates. Fazendo de meu nome uma metáfora, início dizendo que tenho 30 anos neste corpo que ora habito, quando reencontrei o caminho que conduz a quem procura Aquele cujo nome é impronunciável. Poucos sabem da terrível importância deste reencontro, para os que não sabem e desejam procurar digo apenas, que lembrem-se de quem eram antes de serem o que são e que se resolverem seguir nesta viagem a porta estará lá, sempre, basta bater e ela se abrirá, indiferente ao tempo e às condições que vivam a humanidade”.
Abram Sherman

6/11/2020

Skyquake: Fenômeno atmosférico ou trombetas do apocalise e/ou?

                  


O fato de ser escritor de ficção, jornalista de longa data e não trazer nenhum texto autenticado por um médium famoso ou possível desencarnado e ser autor de um modesto livro sobre os bardos e druídas  (O Livro Negros do Bardos, entre outros livros, é claro), e afirmar que, às vezes, recebo algumas informações que não estão disponíveis nos canais humanos usuais,contemporâneos, talvez, me absolva de tratar de um assunto tão estranho registrado e inexplicado, não apenas pela mídia convencional, mas gravados no mundo todo:os skayquake(Ruídos no céu ou terremotos no céu como são chamados em inglês).
E, o assunto é tão estranho que a onipresente Nasa já saiu explicando com sua autoridade espacial mundial:"São fenômenos atmosféricos". A Nasa diz e ficamos satisfeitos.Ficamos satisfeitos com todas as explicações simples que nos derem, 
Por outro lado,as denominadas autoridades eclesiásticas, não escutaram nada, naquele momento, estavam escutando outra coisa e assim, pastores, entre outros... 
Mas porque eles deveriam explicar a origem e a razão da existência destes sons? 
Que responsabilidade tem sobre estes sons,afinal? Ora, só porque estes sons vem do céu e ninguém os gera ou faz e, sons semelhantes são citados na Bíblia.
Então, deixem a Nasa dizer qualquer coisa, afinal o céu é administrado por ela, ela que explique.
Mas será isto ou só isso?
Vamos excluir a possibilidade de serem as trombetas do apocalipse citadas pelo Apóstolo João.
Até inventarmos um novo termo para estes sons, Trombetas é o melhor porque estes sons vem avisar sim, aos seres humanos que vivem nesta terra que eles vão receber visitas, ou seja, naquele local onde foram escutados estes sons não produzidos por seres humanos, deverão descer do céu, também, seres humanos que lá estavam e estarão aqui de visita por 36 horas, junto das pessoas que amaram para se despedir, pois estavam longe quando partiram, ou vem rever, falar, lembra-las que não há necessidade de sofrimento.
Já deve teve acontecido com você: Lembrar de uma pessoa querida que partiu sem se despedir e de repente,você lembra dela, de seu sorriso de uma frase, de alguma bobagem que fizeram juntos e você sorri.Fica feliz com a lembrança. Talvez, digo aqui, talvez, ela esteja ali do seu lado por estas 36 horas.
Para finalizar, digo apenas que o céu só tem um administrador se você não sabe quem é continue acreditando nas explicações mais simples ou naquelas que lhes convém.Esta aqui pode ser mais uma.


5/08/2020

Réquiem(requiem aeternan dona eis* )para um palhaço morto

Minha infância foi repleta de palhaços, eles estavam nos circos, nas revistas, no rádio, televisão, havia uma revista (gibi) dos palhaços Fred e Carequinha, este último foi um dos palhaços mais famosos do Brasil e atuou durante anos na sua profissão viveu 90 anos e,segundo consta, queria ser enterrado pintado pra, de acordo com ele, alegrar o outro lado. Como a família não respeitou o desejo, tenho certeza que ao chegar ali ( não é muito longe), foi imediatamente pra maquiagem e começar fazer palhaçadas.Alguém não acredita que isto não existe do outro lado? Garanto que sim,há o lugar dos palhaços onde as gargalhadas são infinitas.Não é brincadeira o que digo.Riam se não acreditarem numa verdade tão real como este mundo. Somos mal educados,nossos professores são ignorantes e acredito que são cegos instruindo cegos.Mas isto já é outro assunto.
Em cada circo que passava na cidade sempre havia o grupo de palhaços, eles sempre foram a alma do circo, que tinha outros profissionais,os desafiantes da morte,os domadores, mágicos, os acróbatas,mas eram os palhaços que derrubavam aquela seriedade toda.
 E, o personagem continua vivo até os dias de hoje,basicamente com a mesma função.Estes que citei eram palhaços tradicionais, com a pintura no rosto que esconde a face e surgiram na Comédia  Dell'arte lá pelo século 18, os bobos da corte,humoristas,os atores, palhaços sem a máscara sempre existiram. A arte, o humor acompanha o homem desde que se tem registro de seu caminho sobre a terra.Mostrando o ridículo das ações,a beleza, o amor, a estupidez e outros comportamentos desprezíveis, alguns pagaram com sua vida a ousadia ou critica, mas isto nunca os impediu de fazer.O valor deles é impossível de medir, porque falamos de arte, que sempre toca as pessoas, emociona, encanta, faz rir, chorar, ter medo, experimenta o amor,o desamor, e assim por diante nas emoções humanas.
 Fiz este introito pra falar de um ator que saiu daqui recentemente  (seu nome esta por aí, não há necessidade que o repita e seu nome, talvez, não seja tão importante como os papéis que representou e, não foi Shakespeare em Romeu e Julieta que perguntou: "o que importa um nome, acaso a rosa muda de perfume se trocarem seu nome?")que por anos trabalhou na televisão,teatro,cinema, ora fazendo papéis humorísticos, hora papéis sérios. Lembro de uma novela de grande audiência aonde ele interpretava um aposentado que não recebia sua aposentadoria (ou algo equivalente) e numa das falas reclamava:
-O Brasil está me devendo!
Provavelmente a fala havia sido escrita pelo autor da novela, mas ele deu um peso e carga dramática importante tornando crível o personagem. Era um ator,um"clow"um palhaço, palhaço triste, pesado como todos os palhaços tristes, conscientes de sua profissão e a exercem de forma critica,sem aquele "distanciamento brechetiano", ou seja, vestem o personagem da forma sugerido por Stanislavisk (quase como médium, incorporado no personagem).Nunca consegui rir de suas interpretações havia uma sombra nelas que mais incomodava do que proporcionava alegria, era um olhar forte sobre a realidade que não permitia concessões, podia-se perceber na sua expressão facial e corporal a gravidade de suas representações.Vi outra destas interpretações,onde ele retratava um ex-jogador de futebol que lamentava a decadência do seu corpo,interpretação forte, densa, se trabalhasse em outro país que desse valor maior a sua arte, certamente, seria premiado, talvez, isto fosse uma de suas queixas.O não reconhecimento verdadeiro à sua arte.
E la nave va e recebemos a notícia que o ator realizou seu último monólogo no qual entrega a sua vida para o que chamamos de morte acreditando que é o final da representação, neste mundo, sem imaginar que sai deste mundo para entrar em outro.Como não havia um roteirista e nem um bom diretor ele resolveu escrever e interpretar o monólogo sem nem um iluminador para dar luz a ribalta,um contrarregra para ajudar, ele mesmo abriu as cortinas, leu o texto que havia escrito e levou o ato até o fim, mas não sabia que no teatro como na vida que conhecemos nenhum ato termina sozinho, ele continua vivendo na cabeça de outras pessoas, através de imagens, repetições que prosseguem infinitamente e não acabam com o fechamento da cortina.
No monólogo que escreveu,parece que lamentava o pais e, como via de consequência, o mundo que viveu.
 Creio que aquela fala, lá atrás, "o Brasil me deve" repercutiu fundo em sua vida. Ele queria cobrar uma dívida inexistente, impagável, falando das pessoas e do mundo que encontrou e do qual saiu sem agradecer nada, nem as gentilezas, os aplausos, os sorrisos que provocou,o apreço por sua arte que certamente algumas vezes recebeu neste mundo repleto de ingratitudes, mas, maravilhoso em complexidade e beleza.
 Mas, ele não precisava mesmo agradecer, nós é que agradecemos por ter partilhado de seus personagens, da alegria que proporcionou para muitas pessoas, pela sua seriedade e pela reflexão, por sua arte que o consagrou e certamente será eterna. 



*Dai-lhe o repouso eterno".Com o auxílio do Dicionário Aurélio e wikipedia sobre Carequinha.

7/28/2014

Vai ler ô inocente, sabe nada!

Bah!
Só uma exclamação como esta, aqui do rio grande, para expressar surpresa sobre coisas inauditas e absurdas. Bah!
O que eu li hoje me perturbou, me fez voltar a esse blog para escrever sobre uma grande imbecilidade mal rascunhada a respeito de Ariano Suassuna.
Um  tal de Alex Antunes (uma pergunta, quantos livros tem publicado o moço?) metendo o pau em Ariano Suassuna, recém falecido. O cara escreve  se não me engano no Yahoo.
O  tal segue a antiga tendência do pensamento colonizado de que qualquer brasileiro, seja qual for, vale nada, nem merece respeito. Consideração, nem se fala.
O rapaz ataca Suassuna porque ele ousou falar de uma cultura avassaladora,doentia, essa sim, burra na maior expressão.
Ariano, no texto de Alex, não merece nenhum respeito, nada. O texto é deselegante e até imoral.
 Brasileiro não pode ser pensador, não pode cometer equívoco ou dizer bobagens.
Mas, com certeza, diante de um Noam Chomsky certamente Alex se ajoelharia. Nada contra Noam Chomsky um dos poucos norte-americanos que mete o pau naquela cultura voltada para o sucesso a qualquer preço, do bem estar armamentista, e  fala do que a mídia ignora, por conveniência ou grana.

A  questão de Ariano,aqui é emblemática.
Suassuna foi um dos poucos brasileiros que vi nos últimos anos criticar palavras, costumes mal importados e nisso seguia a tendência dos modernistas quando buscavam encontrar uma linguagem escrita nossa, adequada para nossa fala.
Oswaldo de Andrade chegou a ser criticado por  Mario de Andrade pelo o uso da palavra garagem. 
E nisto Ariano fez o que um intelectual de valor faria, usando os espaços disponíveis para chamar a atenção sobre a necessidade de manter um pouco de nossa integridade cultural.
E a gozação dele, com a volta, o entorno  dos buracos negros?
Aquilo é física, mano.
O cara tava brincando com a questão dos buracos negros, de leve.
Ele criticou como ninguém como raros intelectuais, uma cultura massiva que exporta sua ignorância, seu mitos pobres, explorados como os negros que cantam sua miséria social e política:“ estou com grana hoje,vou detonar na balada, vou comer  todas, tenho um carrão fudido e você otário, tem o que?”!
O carrão, a grana, conseguida onde? Na esquina, com a miséria  dos que não reagem mais por falta de forças. Tai o Tupac morto, e tantos outros.
E Madonna? Com  sua voz de falsete, pouco talento e uma produça enorme (como diz um produtor musical nosso), pra fazer aquela franga pelada parecer que cantava. Aonde ela anda agora?Ah! Mudou de nome, se chama Lady Gaga.
Homer Simpson faz bem em comer o vestido dela.  O Grammy que ela ganhou não foi pela voz ou pelo talento, mas pelo vestido que ofendeu metade deste mundo faminto.
Viva esses mitos!
Mitos, talentos  com prazo de validade!
Suassuna matou a charada, rapaz!
E você, babe!Porque nunca na sua vã filosofia de almanaque vai conseguir essa síntese.
E,digo mais,Ariano não era xenófobo, as referências de sua obra são universais, na Compadecia, estão lá para quem souber ler, O Mercador de Veneza, lendas árabes e, ele teve a sabedoria de grande intelectual de confessar isso.E  brincar com isso!
 Lá pelos anos oitenta ele disse que não iria escrever mais, tenho mais de uma testemunha deste seu destempero.
Num país como o nosso, de respeito escasso, é fácil de entender a atitude.
E você, seu Alex? Já pensou em parar de escrever? Essa seria uma ótima hora para pensar nisto.
É isso! Viva a cultura do ritmo sem música, da poesia sem poesia !Do tambor, sem harmonia.
Vivemos a era do lixo, lixo imposto em cima de culturas  miseráveis,  pobres e mais ignorantes.Viva  nossa miséria  e ignorância para a felicidade e beneplácito das multinacionais do disco,das editoras que lançam toneladas de livros criados por equipes de redatores, de um cinema que multiplica a velocidade dos carros, dos tiros e da violência gratuita.
Gosto é gosto.
Mas cultura é cultura. Para fazer cultura  precisa esforço, trabalho, dúvidas, erros e dedicação.
Coisas necessárias a um bom intelectual.
Para  cultura de massa é só babar, diante do traje de Lady Gaga e as coxas  magras da Madonna.
Sussuana acertou como um intelectual serio, importante que foi.

Sabe nada ô inocente, útil!
A mulher ta andando com o vizinho e tu rindo na beira da piscina. Achando que sabe das coisas.
Ariano sabia do que falava e se lidou com os milicos, fez como a maioria dos brasileiros para conseguir sobreviver naquele período podre do Brasil, coisa que este senhor Alex não deve saber por que não passou por isso.
Õ sujeito! Por acaso tirou passaporte,ou teve que fugir daqui neste período? Esteve fora, exilado?Pensou e sofreu o Brasil longe dele? Sabe nada!Ou viveu aqui tendo que sustentar uma família cuidando-se dos arapongas que infestavam cada departamento de universidade, repartições públicas e a vida social ou privada?
Fácil falar, vai falando, mas respeito e cuidado com o que fala!
Não conseguirmos ter uma indústria cultural, e uma medíocre  indústria em geral, porque temos um atraso atávico e uma corja de nojentos que nunca respeitou esses país como ele merece ser respeitado.
 Vá ler história, inocente, sugiro um brasileiro como Nelson Wernek  Sodré,historiador e milico, mas com que história pessoal e intelectual, meu caro!Em suas Razões da Independência ele mostra como lombo dos negros no Brasil criou a Revolução Industrial, você sabia?
Claro que não, isso não interessa a burrice nacional colonizada!
 Não!
 Interessa o pitoresco, o cômico o ridículo e o grosseiro. Alguns brasileiros gostam de ter uma baixa auto-estima de viver no brete, enjaulado, bebendo coca cola  e rindo  com os dentes cariados para enfeitar e pagar a beleza do show bizz.
Nelson Werneck como Ariano, entre vários outros, amaram profundamente esse país. E buscavam  saber de suas raízes e não apenas da superfície.
Qualquer moleque norte-americano  respeita  os pais de sua pátria e aqui?
E sabe por quê? Desde o berço eles são ensinados a respeitar.E aqui se ensina algum tipo de respeito? Ensina-se o deboche, o amor as chuteiras e o desprezo como foi demonstrado no seu texto.
Não, aqui debochamos da mãe do juiz, do bigode de dona Carlota e enfatizamos o ridículo histórico.
País  de gente  metida a saber escrever, é  fácil atacar quem morreu  ontem.
Fácil, ele não vai sair do túmulo como um personagem dos vídeos de Michael Jackson pra puxar a sua barba medíocre.
Fácil dizer que  ele que viveu a sua vida em erro. Porque era de esquerda, etc,besteira, você não percebeu que esquerda e direta hoje são bobagens, aqui e no teu país, os EUA. Lá eles se dividem em democratas e republicanos, uns a favor da grana e outros a favor de dividir um pouco desta grana.

E digo mais, conheço a obra de Ariano desde criança,
Ele já era grande quando você certamente não era nem era nascido e havia orgulho nos teatros dos colégios quando alguém interpretava um personagem do Auto da Compadecida. E, esse orgulho  vai continuar existindo apesar de você como já dizia Chico Buarque.
Respeito é bom e eu gosto como se fala aqui no rio grande.
Te dou (ou dou-te) uma tarefa, pequena coisa metida a critico:
Lê o Auto da Compadecida.  Mas lê, não o que a Globo exibiu. E nem vai ao You Tube ou no Google achar que vai descobrir o que não sabe.
E vai ficar surpreso o quanto de beleza, humanidade,  arte, criação, existe no texto.
Você é capaz disto? 
Suassuna perdoa esses, aliás, a Compadecida perdoa.
E começa a ler Alex,  faz o favor. Dá pra ver pelo seu texto que você não leu nada! E o que leu não conseguiu entender.
Seu texto capenga, tosco mostra  muito bem do que são feitos os, talvez, pretensos novos intelectuais brasileiros, sem história e ocos.
Cheios de vento e miséria.
Vai ler ô inocente!

 Mas bah!




3/09/2013

Porto Poesia

Reportagem sobre Porto Poesia- Tv Pampa