7/15/2005

ILHA

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

Esta soberana pátria: o exílio:
acolho-te nesta pele, Ilha natal,
e estás tão longe – geograficamente,
eu exilado – sempre.

No olhar, percorro todos os lugares,
mas o eixo está em ti,
Ilha
(inunda-me a circunstância líquida),
Desterro,
sempre volto a ti.
Cumprido o ciclo.
Cumprido?
Nunca terminado, como um livro: apenas interrompido.
Ilha,
Interior:
sou apenas um catalisador de complexidades.

Meu sonho: ilhado, não é pragmático,
imaterial, carente de valor contábil,
não, a pecúnia não é soberana.
Volto sempre a ti, Ilha
(que me fundou)
imanente, estarás sempre em mim,
(despoluída e mítica)
e depois, já feito pó, talvez continue em ti:
“Morrer é uma forma de organizar-se.”

Um comentário:

Nei Duclós disse...

Que poema!A palavra ilha como um refrão, um tambor, um foco de espiral, uma âncora em carne viva. Exílio, a pátria soberana: que força esta imagem do poeta. Ao reconhecer que fomos expulsos, nos devolve a pátria que perdemos.